segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um serão como todos os outros




Ao fim de quase 18 anos a ouvir o meu avó a contar, embrulhados numa manta, a mesma história repetida junto à lareira todos os anos desde que me lembro de ser eu, só hoje a percebi pela primeira vez! Sempre que a ouvi-a, apesar de não perceber patavina, achava piada ao tom de voz que se alterava à medida que a história evoluía e, ainda hoje, sinto o mesmo.
Não sei a verdadeira razão desta má comunicação entre nós, ou deve-se à minha apurada audição ou à pronuncia (de alentejano levado ao extremo) do meu avó. 
Contudo, e devido à atenção e esforço que faço sempre para tentar perceber mais do que uma palavra só posso mesmo considerar que a culpa é de toda a gente menos minha! A pronuncia estraga o esquema todo, eu bem tento perceber, juro que tento, mas é um esforço em vão. Não vale a pena. 
Normalmente, entre um diálogo (?) quando fico sem conseguir codificar o que ele me disse aceno com a cabeça, sorrindo, e digo "sim sim" ou "pois" ou, melhor ainda, "hamm hamm". E o pior acontece quando a resposta é mais complexa e ele fica à espera de uma resposta que deva corresponder às suas expectativas. E o que faço aqui? Sorriu, e mudo de assunto!
Eu até podia ser sincera e pedir-lhe docemente para repetir mas não vale de nada, pois já sei que não vou perceber. E só para não o cansar não o faço! Sou realmente uma neta adorável.




Hoje, por milagre só pode, percebi a história e por ser tão estúpida ainda achei mais piada!
Acho que a partir de agora os meus diálogos com o meu avó vão melhorar! Esperança, muita esperança!

1 comentário:

andrecaiola disse...

parabéns por teres percebido :p

Fico feliz por ti ;)